sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Ensinamentos de vida

Observo-as.
Excelente aparência. Sempre bem penteadas e maquiadas, roupas de boa qualidade e design, marcas caras claro, assim como as carteiras, os relógios, os acessórios e as jóias. Sapatos italianos, feitos à mão.

Deduzo que têm dinheiro, vivam bem, sem preocupações de maior. Afinal parecem umas senhoras, e passeiam-se nas lojas mais badaladas e caras da cidade.

Chego mesmo a invejá-las. Eu não sou assim. Visto-me “normalmente” dentro de um padrão clássico mas barato. Nada de roupa cara e não frequento o cabeleireiro com regularidade. A imagem para mim não é prioridade, anda arranjada claro, também qualquer trapinho me fica bem, mas não invisto em guarda-roupa.

Passam-se os anos e a imagem delas mantém-se. Umas senhoras sempre!

Acontece um imprevisto. O marido falece. Chega à hora de pagar o funeral. Nada. Não há dinheiro. Vai-se a ver e os cartões de crédito estão estoirados. A conta à ordem negativa. Não têm habitação própria e os herdeiros querem que abandone a casa. Não têm dinheiro para pagar uma renda. E agora?

Eu penso para mim. Como é possível? Uma vida abastada e de trabalho, é verdade, mas nunca pensaram para além de “hoje”? E o amanhã? Não percebo?! Olho ao redor e penso na minha mãe e nos seus ensinamentos:

“Filha, eu só compro uma coisa quando tenho dinheiro para duas” e sempre assim foi. Até mesmo quando comprou o primeiro carro. Podia andar de BMW mas preferiu um Fiat. Eu critiquei… (juventude)

Observo-a.
Sempre, sempre de roupa de feira. Nunca entrou numa loja de marca, cabeleireiro só 2 vezes por ano, calçado barato e a durar muitas estações, perfumes de supermercado. As poucas jóias que têm não são para usar porque podem-se estragar ou perder. Só foi de férias 2 vezes na vida, ao Algarve porque temos família lá e este ano foi comigo a Marrocos porque a obriguei a gozar a vida.
Eu sempre critiquei… Mas sei que não falta dinheiro no banco. Na casa dos 5 digitos. Sei que quando o meu pai faltar não precisaremos de ficar a dever à funerária até recebermos o subsídio de funeral do Estado. Sei que não teremos que nos preocupar com a renda da casa. Trabalharam uma vida para ter casa própria.
Critiquei e ainda critico não se dar a certos prazeres.

Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Tento levar uma vida equilibrada.

2 comentários:

Moquina disse...

E foi essa falta de "disciplina de poupança" por parte do Estado e de muitas famílias, que as coisas agora estão como estão e há tanta gente em dificuldades... (óbviamente, há muita gente que nunca conseguiu poupar mesmo gastando apenas o essencial).
Acho que não devemos trabalhar só para amealhar, comprar o imprescindível e pronto.
Se trabalhamos, também temos direito a umas "extravagâncias" (no meu caso, será almoçar ou jantar fora uma vez ou outra, por ex,sem ter que pensar duas vezes).
Como dizes, nem tanto ao mar, nem tanto à terra.
Costuma-se dizer (e desculpa a expressão lol) que "quem tem cu, tem medo" e eu tenho; não vivo s sofrer por antecipação mas, se algum dia houver algum azar, tenho um pé de meia (não é nenhuma fortuna lol mas pronto).
Beijocas

Morango Azul disse...

Eu também tenho um pé de meia. Aliás, PSICOLOGICAMENTE, preciso ter uma poupança, caso contrário não conseguiria dormir. Nem mesmo quando comprei e montei casa gastei a massa toda. Não consegui. Preferi viver uns tempos sem sala, sem cortinas, e só fui mobilando aos bocadinhos.