quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O despertar

Já referi aqui que nunca quis filhos até há uns meses atrás... que passou a ser o meu projecto de vida, desistindo de lutar por uma carreira que, aos 35 anos, nunca mais chega, mais ainda a trabalhar com imbecis num mundo onde só a cunha e o compadrio domina. Como não sou de lamber cús... não vou a lado nenhum... Paciência.

Por vezes questiono-me porque mudei de ideias...porque anseio por um filho, e sei precisar quando o 1º clic se deu, muito a medo e me fez refletir na vida... foi quando o meu "sogro" faleceu...assim de repente...
Jantaram todos juntos e de madrugada recebemos um telefonema esquesito  "ah e tal o teu pai está-se a sentir mal, vem cá mas conduz devagar" , quando chegamos lá a casa o INEM já tinha declarado o óbito...ataque cardiaco fulminante, num senhor na casa dos 70 anos e com análises e exames recentes tudo ok.

Felizmente tenho os meus pais vivos...nem equaciono outra hipótese. Não consigo imaginar a minha vida sem eles...para mim serão eternos. Mas perante aquela perda súbita imaginei como seria se fosse um deles... e a sentimento que tocou foi solidão e vazio... sim seria perder uma parte de mim...eu sou a continuação deles e eles são a minha existência...Mas ninguém dura para sempre, infelizmente. E na altura pensei...Que será de mim quando os meus pais falecerem? Nada...zero... O que eu sou, e devo a eles, perde-se quando eu também falecer... A quem vou transmitir os valores que recebi desde miúda e que parecem cada vez mais raros? Sim tenho irmãs e sobrinhos...mas quando os Natais chegarem serei a tia implástro que observa a felicidade dos outros?

E foi assim que tudo começou!
Vamos ver como acaba...

4 comentários:

Pretty in Pink disse...

Acaba com um bebé fofuxo que será a luz dos teus olhos :):)

Beijinho*

S* disse...

É estranho que um momento tão triste tenha despoletado em ti um desejo tão bonito. Mas se queres, força nisso. :)

Uba disse...

Vais adorar a maternidade! ;)

Miú Segunda disse...

Querida Morango:
Compreendo perfeitamente o que contas: a morte de entes queridos frequentemente produz em nós um desejo de vida. Eu quis muito ter a minha primeira filha justamente quando...a minha mãe adorada morreu. E tive-a. Mas é claro que a minha mãe não volta, nem a ausência dela ficou suavizada pela chegada de um novo ser - e de um novo amor - à minha vida.
Faço votos para que engravides depressa. Vai ser uma fase muito excitante na tua vida - que compensa todos os aborrecimentos no trabalho, precisamente porque "valores mais altos se alevantam"!
Beijinhos