sábado, 20 de abril de 2013

Coisas de familia

Lá em casa gostamos de animais.
Deve ser por eles serem companheiros, fieis e nunca nos desiludirem. No entanto penso que também será algo genético.

Cresci a ouvir a história da minha bisavó que tinha um burro que se chamava"vinte e nove". Contam os meus tios que quando estava mau tempo ela metia o burro dentro de casa para este não apanhar chuva nem frio.
Quando o animal faleceu contam que foi enterrado num terreno perto de casa... Esse terreno agora pertence ao meu pai que enquanto escavava na terra descobriu o esqueleto de um burro. É o "vinte e nove"! Conseguiu encontrar 3 ferraduras do animal e agora vai trata-las e fazer um quadro para colocar na sala lá de casa. Nós 3 filhas já dissemos :" quando o pai morrer é uma ferradura para cada filha".

Todos os Natais sempre que jogamos ao bingo não cantamos o n.º 29, mas sim o "burro da avó vigia".
Não deixa de ser curioso como ganhamos carinho e estima por pessoas que morreram antes de nascermos e portanto nunca conhecemos. Os seus actos e histórias são transmitidos de geração em geração com afecto e isso faz com que vivam, um bocadinho dentro de nós, façam parte da nossa história.

O Eduardo vai saber que o "vinte e nove é o burro da avó vigia", da sua trisavó.
Será que algum dia os meus trinetos ouvirão falar de mim?

Ah...jogo sempre no "vinte e nove".

3 comentários:

Roger disse...

História bem bonita :)

E julgo que há sempre histórias em todas as famílias, acerca de pessoas que já nem chegámos a conhecer :)

Uba disse...

Claro que sim! :D

A Bomboca Mais Gostosa disse...

Fiquei comovida pá :p