terça-feira, 23 de abril de 2013

Comentário que vira post - Casamento na conservatória

Em resposta ao que a S* escreveu aqui em relação a casar na conservatória eu resolvi deixar neste blog a minha opinião.
Então S* é assim:


Depende da importância que dás ao casamento.
Normalmente no primeiro casamento nós, mulheres, divagamos um pouco e queremos festa, e vestido tipo princesa e convidados elegantes com taças de champagne na mão, fogo de artificio e até soltar umas rolas, sei lá, um conto de fadas...
Mas na prática o casamento é o assinar um papel, um contrato, que te confere direitos e isso é que é importante. Quanto à festa isso é pessoal...e com o passar dos "casamentos"  começas a desvalorizar a coisa.
Para quem já vive junto, como o teu caso e o meu, casar é só mesmo assinar um contrato porque nada no dia-a-dia vai mudar... tudo depende da ilusão com que se vê o casamento...já eu por exemplo não acho piada nenhuma 2 pessoas que moram juntos fazerem uma festa cheia de circunstância como se fossem ainda inocentes e acreditassem na magia que é dormir  e acordar agarradinho, fazer o jantarzinho para o marido, fazer sobremesas gostosas e ter sexo a qualquer hora...já sabemos, por experiência, que esse encanto desaparece quando ele começa a ressonar de noite e não nos deixa dormir, quando começamos a sentirmo-nos criadas dele, quando ele nos aborrece porque deixa a tampa da sanita levantada, etc e tal... são coisas banais e que acontece em todas as relações e não estou a dizer que é motivo para divorcio mas é o suficiente para, passado uns anos, a "magia" que tínhamos imaginado na nossa cabeça desaparecer e encararmos tudo com outra perspetiva.

Como já referi, para mim, o casamento é um contrato que nos confere direitos (e obrigações) e protecção legal... mais nada. Também não digo que é fundamental as pessoas se casarem. Por exemplo, eu sou mais feliz que muitas pessoas casadas que por ai andam! Mas se sinto falta do tal papel? Sinto! Porque é uma afirmação social e uma protecção principalmente se houver filhos. E não me refiro a pensão de alimentos nem nada disso. Refiro-me a passar a condição de herdeira e a ter direito a uma parte da reforma, em caso de morte... coisas que a lei da união de facto não te dá...aliás eu acho que a nossa lei da união de facto é uma valente merda mas lá está...quem quiser mais que case!

9 comentários:

Eve disse...

hummm mesmo com essa da herdeira continuo na minha de: contratos só de trabalho...

S* disse...

ahahah Ai morango, ri-me a bom rir. Sim, o meu rapaz ressona. Graçádeus, baixa a tampa da sanita, mas de vez em quando também me sinto meio criada dele. :P

Não sou das que quer uma grande festa, mas para mim é importante ter uma festinha com amigos e com a família. Não pretendo gastar muito dinheiro, mas sei que essas coisas nunca ficam de graça. :) O papel pode não mudar nada, na prática, mas acho que me vai aproximar ainda mais dele.

Obrigada!

Ana disse...

Não é preciso casar para ser herdeiro ou ter pensão de sobrevivência. Quanto à herança, a quota disponível pode ser deixada a quem se quiser. A lei da união de facto já protege o sobrevivo com pensão de alimentos, dá é um bocadinho de trabalho. Mas concordo, na nossa sociedade o papel passado ainda vale muito.

Morango Azul disse...

Olá.
A quota disponível é quase nada.
Imagina a seguinte situação: vives em união de facto e não tens filhos, compras uma casa com o teu namorado e tens poupança no banco. Constroem uma vida juntos e passado 15 anos ele falece... e depois tens que dividir a casa e as contas bancárias com os herdeiros dele, normalmente pais ou irmãos...achas justo? Eu não acho! Mas lá está...quem quer evitar isto casa-se...quem não quer...deixa andar...

Ana disse...

A quota disponível corresponde a 1/3 da herança.
Casada/o sem filhos, desde que os pais do falecido sejam vivos, há dois herdeiros...a viúva/o e os pais do falecido (50% para cada excepto a meação dos bens comuns, se casados em regime de comunhão geral/adquiridos). Em Portugal há herdeiros obrigatórios por lei, goste-se ou não.

Boboquinha disse...

Na prática, o casamento é mesmo um contrato que traz benefícios fiscais e facilita a transmissão de bens entre descendentes. É mesmo isso. Em algumas ocasiões, o estar casado no papel proporciona "abatimento" de custos...

Boboquinha disse...

PS: e o sentimento de posse? O subconsciente que dita que agora alguém é propriedade de alguém? - também convém mencionar que, em alguns casos, o casamento estraga uma união de facto quando se começa a raciocinar de forma possessiva. Livres no papel, livres nas escolhas.

Eve disse...

nesse caso ainda bem k tive filhos... se um de nos morre a casa é dos pimpolhos...

Carolina Tavares disse...

Entendi agora. Obrigada pelo teu comentário e post. Por vezes fica difícil para mim entender algumas coisas.
Carolina