segunda-feira, 6 de maio de 2013

Nem tudo o que parece é

Depois de reflectir sobre o que escrevo aqui, cheguei à conclusão que passo uma imagem errada da minha relação a dois. Como este blog serve para eu desbobinar e desabafar sobre o dia-a-dia, é claro que são mais as queixas do que as alegrias...em parte porque não gosto de me gabar... sou portuguesa e como boa portuguesa realço sempre os aspectos negativos...

Tenho uma relação de 6 anos e meio e moramos juntos há 5.

Dois recém divorciados com algumas feridas e ideias certas do que não queriam na vida. Nada de cobranças, discussões, ciúmes, controlos... Quis o destino que os nossos feitios se encaixassem sem qualquer cedência, tudo em paz e harmonia, compreensão, apoio e amizade. Partilha dos mesmos valores e objectivos de vida.
Posso dizer que discutimos, em média, de 2 em 2 anos. O único atrito que tivemos foi quando eu mudei de ideias e larguei a bomba que queria ser mãe. Ele não negou mas precisou de tempo para se adaptar à ideia. Resolveu que estaria do meu lado "para o que desse e viesse".  Por outro lado eu já andava a pesquisar sobre inseminação artificial em Espanha porque não sou gaja de depender de homem para alguma coisa.

Mas não há relações perfeitas... por motivos profissionais não se fala de trabalho cá em casa...senão dá asneira... em termos financeiros, cada um gere a sua carteira...e a dele é bem mais  recheada que a minha...mas eu não "beneficio" com isso...prezo a minha independência  e prefiro que pensem que vivo muito bem por estar com ele, quando na realidade conto só comigo, financeiramente.

Nunca tive, até agora, qualquer atrito com a família dele. Sempre fui bem recebida mas também sempre mantive a distância para não dar confiança. Nesta altura da gravidez sinto-me magoada com elas porque parecem não dar muita importância ao meu filho.

Há uma mágoa que carrego no peito e que é a "pedra no sapato" desta relação...para mim... ele não quer casar. Eu tenho que respeitar mas sinto-me "ofendida" com tal posição...coisa de mulher... ciúmes talvez por pensar então eu não sirvo para casar é?  a outra era melhor? e se eu não sirvo para umas coisas também não sirvo para outras. E será a partir de agora, com o nascimento do bebé, que estas diferença entre namorado e marido se vão acentuar mais. Não percebo que ele não pense em proteger, legalmente, a mim e ao filho... mas eu não o posso obrigar, certo? Aproveito o facto para manter a família dele à distância...em parte por vingança claro está... não vou fazer papel de esposa só para o que lhe convém... e as minhas queixas recaem neste meu ressabiamento que é ser namorada e não esposa. Mas isso, não invalida o resto. É bom companheiro, sai do trabalho vem para casa, é carinhoso, respeitamos as saídas com amigos, viajamos muito, não cozinha mas leva-me a jantar fora se eu quiser, já vai ao supermercado, trata do gato porque eu não posso, acompanha-me sempre ao médico, sei lá...tanta coisa...porque no fundo a tranquilidade do dia-a-dia é que conta. Nada de discussões nem amuos, nem cobranças, nem controlos, nem ciúmes... tudo aquilo que eu tinha na relação passada.

Basicamente estamos juntos porque queremos. Não existe relação de interdependência que muitos casais têm...que compram casa juntos porque sozinhos não conseguem... depois não se separam porque não querem fazer partilhas.
Gosto desta sensação de liberdade, do espirito que de um momento para o outro tudo pode acabar, é só fazer uma mala (ou eu atirar tudo pelas escadas a baixo), porque dá-me a certeza que nos estimamos diariamente com medo que alguém se passe e vá tudo por água abaixo. Eu também sou sincera...só estou com um homem enquanto as coisas correrem bem...quando correrem mal allez allez que vá à sua vidinha porque eu não preciso de homem para nada...e ele igual...penso que isso contribui para o respeito mútuo.

Não há relações perfeitas... se encontrarmos uma onde as chatices são poucas...é por ai que devemos parar!

4 comentários:

A Bomboca Mais Gostosa disse...

Gostei deste texto, foi sincero e sentido.
Penso de forma algo diferente de ti, porque, tenha ou não razão, acredito que o amor vence tudo.
Mas concordo contigo e percebo-te perfeitamente quanto à questão do casamento!

Eve disse...

gaja, nao te conheço mas caramba ese feitiozinho... é cópia do meu :P iriamo-nos dar mt bem

Orquídea disse...

eu e o moçoilo faiscamos...algumas vezes discutimos...mas são "discussões saudáveis" porque ainda nenhum dos dois teve vontade de dizer "acabou"...lutamos pelo amor todos os dias! Tanto eu como ele gostamos de miminho e tentamos sempre enroscar-nos no mimo um do outro dia a pós dia!!! :)
Que essa tua relação, ainda que namorados, corra às 1000 maravilhas!Ele pode estar é com medo de casar de novo (como da primeira vez correu mal ele só quer que desta corra bem )
E pode ser que com o filho ele ganhe outra maturidade e até te peça em casamento :P

Paulo Nunes disse...

Afinal a tua relação é um conto de fadas, principes e princesas pá! e eu a pensar que torciam o pescoço um ao outro todos os dias hehe :P
Contudo tens umas ideias bastate diferentes das minhas em relação a um casal. a questão da independencia financeira, a de não precisares de homem qd as coisas correm mal, a questão do casamento (se isso for importante).
mas cada um é como é! felicidades :)