quarta-feira, 22 de maio de 2013

Politicamente incorrecta #9

Muito se tem falado de reformados e pensionistas.. que são uns coitadinhos, vivem na miséria e gastam fortunas na farmácias todos os meses. Se há alguns que assim o são...não generalizemos!

Como funcionária bancária e neta vos digo: há reformados que não levantam a reforma do banco. E não me refiro a valores elevados, não. Há reformas de trezentos/quatrocentos euros que não são mexidas, não são usadas... ficam lá uns meses e depois são aplicadas a prazo- a render como dizem eles.
São pessoas com casa própria, ou que vivem com familiares ou que pagam 10 eur de renda por mês. São pessoas que se reformaram cedo porque antigamente não havia regras nem controlo. São reformados que continuam a trabalhar, a fazer uns biscates, a limpar umas casas, a tomar conta de crianças, etc... São pessoas que têm um quintalzinho com couves, hortaliça, fruta, galinhas e ovos. Muitos têm dinheiro de heranças.
Nem todos os reformados são doentes, felizmente. Nem todos os reformados são uns coitadinhos. Assim como nem todos os reformados merecem a pensão que recebem. E passo a dar o exemplo:

A minha avó reformou-se aos 40 anos. Ou seja, já estava reformada antes de eu nascer. É certo que começou a trabalhar aos 10 anos. Mas mais certo é que antigamente não se faziam descontos, pelo que só mais tarde é que começou a descontar. Na prática não terá descontado mais de 15 anos. Ninguém sabe o motivo da reforma. O que dizem é que antigamente era assim, reformavam-se e pronto. A minha avó não era doente, faleceu aos 90 anos estando doente apenas 4 meses. Ela passava largos anos sem visitar o médico, aliás, não me lembro dela ter, sequer, uma gripe...e ela morava na casa ao lado por isso sei do que falo. A minha avó andou a receber uma reforma de trezentos euros, mais coisa menos coisa, durante 50 anos e só descontou 15. Ela não levantava o valor da reforma. Trabalhou até aos 80 anos fazendo limpezas num café no centro da cidade, também tinha uma rendimento extra de uma casita que tinha arrendada e lhe dava 50 eur por mês. É claro que se ela fosse viva hoje e a entrevistassem para a tv e dissessem que ia receber menos de reforma, ela responderia logo que não era justo, que era tudo uma cambada de ladrões, nunca confessando que nem sequer ia ao banco levantar o dinheiro e que o usava para dar prendas de casamento aos netos e pagar as dividas de alguns filhos.

Como a minha avó há muitos. Trabalharam uma vida? Sim é verdade e por isso foram remunerados. Se descontaram para as reformas que têm, não, nem todos! Se é um direto que eles têm, sim com certeza mas se o país está em crise e todos temos que contribuir porque é que eles seriam diferentes?








2 comentários:

A Bomboca Mais Gostosa disse...

Mais uma vez, concordo contigo.

PT disse...

Ora cá está uma verdade oculta. Claro que muitos reformados têm mesmo de usar os tais 300€ por mês! Meus avós, que também já não são vivos, tinham pouco mais que isso e tinham despesas médicas. Eram doentes e consultavam o médico de família quase todos os meses. Não tinham nenhum outro rendimento, a casa era deles felizmente porque a pagaram durante anos a prestações e por isso agora só tinham de pagar os custos das contas. Não tinham NADA no banco, nem qualquer poupança. Trabalharam a vida toda - desde os seis anos de idade até a saúde o permitir, mas se reformaram antes e começaram a descontar tarde.Minha avó tratou da reforma por indicação dos patrões, que a meteram a descontar com essa finalidade em vista. Assim provavelmente não lhe pagavam mais nada e continuou a trabalhar como faxineira, cozinheira, lavadeira, ama e criada, provavelmente a custo zero ou reduzido para os patrões. Ela como nada entendia, concordou. No tempo de meninice dela não existia nada daquilo, pelo que a surpreendeu e agradou.

Uma vez durante um esclarecimento na SSocial, quem me atendeu confidenciou o mesmo que tu: que os reformados recebiam muito, porque descontaram pouco. Na altura aquilo afligiu-me, mas entendi. Aflige-me muito mais a minha situação, que quero descontar mas sem emprego fica complicado! Estou convencida que jamais terei uma reforma que dê para sobreviver. Se não juntar um pé de meia ou ganhar dinheiro na sorte, vou ter uma velhice também cheia de doenças e sem muitos recursos. Isso apavora-me. Pretendia muito mais uma velhice "á inglesa", com boas reformas, saude qb e viagens pelo mundo...