sábado, 11 de maio de 2013

Seguro de saúde vs subsistemas de saúde (adse, sams, etc)

Eu penso que cada trabalhador deveria ser livre de escolher para que tipo de assistência médica quer descontar. Actualmente somos todos obrigados a descontar para a segurança social. Há certas classes profissionais que estão devidamente organizadas e possuem subsistemas de saúde, por exemplo a ADSE para os funcionários públicos e  o SAMS para os bancários...mas há mais. Ou seja, descontam para a segurança social SNS e para os respectivos subsistemas, logo podem recorrer tanto ao privado como ao público.

A grande maioria dos cidadãos não possui subsistema de saúde pelo que tem que se contentar em descontar para o SNS e se quiser ser bem atendido tem que contratar um seguro de saúde. Acontece que o seguro de saúde não se equipara a um subsistema. E as diferenças são muitas, e cito somente algumas:


- o seguro de saúde é pago por cabeça. Se o agregado familiar for pais e um filho pagam um valor por cada um. No subsistema de saúde o funcionário desconta o mesmo sendo solteiro ou sendo casado com filhos e estes também são abrangidos pelas regalias do subsistema enquanto forem cônjuges e até à idade de completar ensino superior.

- o valor do seguro varia de acordo com a idade do subscritor. Uma apólice com as mesmas coberturas não custa o mesmo para um jovem de 20 anos ou um adulto de 45...porque entende-se que quanto mais idade maior a probabilidade de ser acionar o seguro e logo paga mais. No subsistema desconta-se a mesma percentagem, independentemente da idade.

- os seguros de saúde têm períodos de carências, ou seja, fazemos hoje a apólice e temos que esperar, normalmente, 2 meses para podermos ir a consultas médicas, 3 meses para cobrir internamentos, 12 meses para certas doenças e 18 meses para cobrir parto, etc. Assim se quisermos fazer o parto no particular temos que subscrever o seguro 9 meses antes de engravidar. Ora nos subsistemas de saúde tipo ADSE, SAMS e outros isso não acontece. Assinamos contrato de trabalho, mesmo não estando nos quadros, e imediatamente podemos usufruir de consultas, internamentos, cirurgias, partos, etc.

- os seguros de saúde variam de acordo com a apólice contratada, ou seja, há clausulas que impõem limites em termos de "gastos". Por exemplo, 5000 eur para internamento...quando se ultrapassar este limte o seguro avisa que tem que passar para o SNS...o mesmo se aplica a tratamentos como quimioterapia e afins...quando acabar o plafond o doente é convidado a ir para o SNS, novos médicos, novos hospitais, etc.. Nos subsistemas de saúde não há limites.(Atenção que não estou a dizer que nos subsistemas é tudo de graça, até porque com os seguros de saúde também não é...há co-pagamentos. Tanto num caso como noutro o paciente paga sempre uma percentagem.)

- os seguros de saúde não comparticipam medicamentos. Os subsistemas sim. Quando compramos medicamentos comparticipados pelo Estado, o detentor de um seguro guarda o recibo para meter no irs, nos subsistemas de saúde, mandamos o recibo para os serviços centrais e somos reembolsados numa percentagem, que em alguns casos chega a 100%. É o que acontece comigo, por exemplo, um medicamento para o estomago custa, à minha conta 20 eur, mando o recibo para o SAMS e eles devolvem-me essa quantia... nalguns casos específicos e desconto é feito de imediato na farmácia, não pagando nada.

- os seguros de saúde não cobrem doenças pré existentes, os subsistemas de saúde sim. ´

- o valor do seguro e respectiva aceitação pela seguradora (porque ela não é obrigada a fazer seguros, assim como um banco não é obrigado a aceitar depósitos ou abrir contas)...varia consoante o nosso historial clinico...por exemplo quem for hipertenso paga mais pelo mesma apólice. Comigo aconteceu o seguinte: antes de trabalhar na banca resolvi fazer um seguro da Medis...ora tinha eu à volta de 26 anos...preenchi a papelada e recebi em casa uma carta a dizer que o prémio do seguro ia ser agravado em 10% porque eu era muito magra (pesava 50kgs)... claro que me passei e contestei a decisão alegando que era geneticamente magra e que o meu médico de família o poderia atestar, não sendo magreza sinónimo de doença. Aceitaram a reclamação. Ora num subsistema não há cá nada disso, gordo, magro, doente, saudável entra tudo!

- o seguro de saúde tem limite de idade...por exemplo a partir dos 65 anos é muito difícil arranjar seguradoras disponíveis. Existem...onde trabalho tem...mas o preço é tão elevado, tão elevado que não compensa. Nos subsistemas de saúde não há idade.

- o seguro de saúde não comparticipa vacinas dos bebés... alguns subsistemas de saúde sim (alguns!), por exemplo há as vacinas da meningite que ficam super caras aos pais e quem tiver o privilégio de ter determinado subsistema de saúde é reembolsado a 100%



Não estou a dizer que os seguros de saúde não são alternativas viáveis a quem só desconta para o SNS. Estou sim a defender que quem tem subsistema de saúde e que desconta para ele é certo, deve reconhecer a sorte que tem. A relação custo/beneficio é excelente.

Para além de descontar os 11% para a segurança social desconto 2% para o SAMS, 1% para o sindicato e 5% para o fundo de pensões ( que nunca mais os vou ver). Se tenho alternativa?Não, não tenho, sou obrigada a descontar o pronto, mas se me incomoda? Não, os benefícios que dai advêm são mais que muitos e reconheço que a maioria dos cidadãos não os pode ter. Se pudessem escolher, acredito que muitos não se importavam de descontar para SNS e para algum subsistema também.

Tirando a ADSE, não me consta que algum outro subsistema de saúde esteja com dificuldades financeiras.

6 comentários:

Sérgio Saraiva disse...

Finalmente alguém com bom senso a falar destes temas. A realidade é que a maioria dos beneficiários dos subsistemas de saúde queixam-se, queixam-se, mas quando se analisa a questão com seriedade dispõem de uma regalia clara em relação à generalidade da população.
Mas é mau haver subsistemas de saúde? Não, é bom, e se não fossemos um país pobre até acho que se deveria estender o conceito de medicina no trabalho para algo um pouco mais abrangente que deveria incluir um conjunto base de outros serviços, nomeadamente um micro-seguro de saúde.

A questão da ADSE é uma excepção porque não é sustentável e no final quem paga são os beneficiários, é certo, mas também o resto da população que não tem alternativa ao SNS, uma vez que este subsistema é financeiramente deficitário. O que até se poderia aceitar como uma regalia que o estado oferece aos trabalhadores, embora que numa situação de aperto financeiro generalizado faça sentido que seja auto-sustentável. Agora convenhamos que não deixa de ser um bocado chato estar sempre a ouvir os beneficiários queixarem-se que são uns desgraçados quando bastam fazer umas contas com um nível de dificuldade da 4ª classe para perceber que a realidade está longe de ser essa.

Liliana disse...

Eu tenho seguro de saude, que nao pago( a empresa do meu marido oferece) e alem das consultas abranje tambem medicamentos ou melhor todos os medicamentos que sao comparticipados pelo estado o seguro cobre 90% do valor pago por mim, na hora.
Eu se pudesse escolher continuaria a descontar para o sns pois mesmo eu nao usando no momento nunca se sabe se vou precisar, pois ha certos tratamentos que o privado nao tem. .

Morango Azul disse...

Ora aí está algo que eu não sabia... Mas será assim em todos? Os que se vendem lá no trabalho acho que não, mas não vou teimar.

Liliana disse...

Nao e todos, salvo erro so uma minoria, o que temos e multicare e no proprio cartao diz 'medicamentos" existem outros que nao dizendo nada nao ha a possibilidade de descontar nos medicamentos.

lusoma mar disse...

é tudo simples ...mas nunca confiar,,, as empresas comparticipam com oss custos de medicamentos para alguns trabalhadores por enquanto, agora vao começar a comparticipar só aos que tem doenças crónicas e depois esses começam a ser descartos também,,, a crise veio por a descoberto que não se pode acreditar em sistemas porque os mesmos são
furados pelo negócio de quem os controla.. até aqui vendiam-nos e receita de que poderiamos gastar sem preocupações,,, se estivessemos doentes tinhamos o SNS,, se precisavamos de dinheiro,, tinhamos os bancos,,, para o ensino dos nossos filhos tinhamos o ensino gratuito..
depois de envelhecidos tinhamos a S, Social com as nossas reformas garantidas,,, tudo se esvaziou de conteudo e passou a ser pesadelo....

afinal,,,o ser humanos tem coisas de que devemos analisar e repensar como tais ideias ainda nos azucrinam esta época de todos quererem ser o mais rico possível...pensamentos positivos sim, mas vigilantes...!!

Uba disse...

Eu desconto para a SEg Social, tenho direito a SAMS e tenho seguro de saúde! lol