domingo, 3 de novembro de 2013

A tradição ainda é o que era

Este fim-de-semana diz a tradição que é destinado a visitar as campas dos falecidos. E o povo lá vai...tudo em filinha... com as flores numa mão e as velas na outra...mesmo que enquanto viva não lhe ligassem nenhuma... mesmo que enquanto viva toda a gente dissesse que ela era uma peste negra e ruim como as cobras... mas a tradição diz que é para ir e o povo vai... todo bem vestido para a vizinhança ver... gastam rios de dinheiro em flores porque o mais importante é que a campa esteja mais bonita que a da vizinha...

...e depois o dia acaba e esquecem-se dos falecidos por mais 365 dias...

6 comentários:

Nessie disse...

Infelizmente tens toda a razão, há gentinha mais hipócrita que sei lá o quê! :(

Enfim...

Pretty in Pink disse...

E é por isso mesmo que não vou ao cemitério nesse dia!

Beijinho*

Orquídea disse...

infelizmente há tanta gente assim :(

Giuseppe Pietrini disse...

Parece mesmo que é assim, não é? E às vezes até é. O povo vive muito das aparências. Tu podes ter muita razão. E eu penso como tu, mas... ainda acredito que não é possível as pessoas esquecerem aqueles a quem amaram - ou odiaram - durante tanto tempo como tu disseste.

Beijim! ;-)
Giuseppe
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Nadinha de Importante disse...

Nem sempre é assim. Agora, acredito que não tenhas de ir à campar para prestares algum tipo de homenagem e muito menos para te lembrares das pessoas que foram importantes.

nadinhadeimportante.blogspot.pt

Anónimo disse...

Concordo tanto contigo.
Não sei se ouviste uma entevista a falar do não-feriado? Dizia uma senhora que era uma falta de respeito para com os mortos porque já não havia o dia deles. Honestamente, eu ri-me. Quer dizer é uma falta de respeito? É mesmo por causa dos mortos ou porque queriam, na realidade mais um dia para estar na sorna (a mim também me dava jeito)? É que os mortos tão sempre lá e o pior são mesmo aquelas pessoas que só se lembram dos mortos nesse dia "idilico" em que se pode falar dos mortos e se vai para o cemitério armar-se em mártir. Mas para além de muitos ou não terem grande afinidade com os ditos, ou terem passado grande parte do tempo em que estavam vivos a ignorarem-nos, quando alguém ousa falar de alguém que já foi, quando alguém quer recordar alguém que partiu durante o resto do ano é um "ui não fales disso que não é bom", "já se foi para que te estás a lembrar disso agora?", entre muitas outras coisas. Ninguém nos deixa "matar saudades".

O meu "dia de todos os mortos" foi passado no lar com a minha avó que me criou e com a qual devo ter (infelizmente) poucos anos para conviver. Sei que ela queria estar com o meu avô (no cemitério) e, por ela, fui lá levar-lhe o ramo dela (ela já não caminha) mas mentiria se dissesse que o fiz por ele. Fi-lo por ela, deixei-o lá e fui ter com ela. Para ela aquelas flores foram muito mais importantes do que para ele.
Acho que é mesmo só mais uma forma de angariarem fundos para os floristas e, honestamente, jamais teria comprado um ramo se não fosse pela minha avó - a senhora viva, que sente, que vive, que chora ainda hoje a morte do meu avô quase 20 anos depois.
Quando ela morrer duvido que vá ao cemitério mas sei que me recordarei dela várias vezes por semana, senão por dia. Acontece-me hoje e acredito que acontecerá para sempre até eu morrer. Ela vive no meu coração.

ps: Só para deixar claro que apesar de ter um carinho pelo meu avô pela forma como a minha avó fala dele, não lhe tenho amor porque nunca o conheci. Ela é minha mãe para mim.