domingo, 23 de fevereiro de 2014

Comparando o incomparável

As noites cá em casa têm sido looonnngggaaassss. E como tal dá para rever a nossa vida desde a infância até hoje. Não sei como, lembrei-me de uma amiga minha, aqui há uns anos, estar a contar que uma amiga dela estava com depressão pós parto. Recordo-me perfeitamente do seu comentário:

- Eu tive 2 filhos e não tive depressão pós parto, não tive tempo.

Ora eu não sei se tenho depressão pós parto ou se é só cansaço extremo mas estas palavras têm-se repetido na minha cabeça... não tive tempo.

Pus-me a comparar as nossas vidinhas.

Ela quando teve o primeiro filho pôs o apartamento à venda e foi morar com os pais, ambos não trabalhadores a viverem de rendimentos. A sua mãe ficou a tomar conta da filha até aos 3 anos, não tendo por isso que ir para a creche e apanhar todos as doenças e mais algumas, também ficou de babysitter do segundo por um ano.

Eu continuo a viver com o meu marido. Cá em casa somos dois. Não há avós nem tias para ajudar. E quando ele vai para Lisboa sou só eu mesmo. E coisas simples como tomar um banho implica levar o rapaz para a casa de banho comigo. Não é que isso mate alguém, mas é um stress miudinho que se vai acumulando ao longo de dias, semanas e meses que desgasta.  Também não tenho avó disponível para ficar de babyssiter do miúdo, pelo que teve mesmo que ir para a creche e, semana sim semana não, está doente... e juntar dentes com doença...dá umas noites maravilhosas.

Acho que há algumas li-gei-ras diferenças entre a minha maternidade e a da minha amiga. Não digo que uma é melhor mãe que outra, mas um facto é verdadeiro: ela teve dois filhos e nenhuma depressão pós parto mas a mãe dela ficou com depressão diagnosticada quando o segundo neto fez 1 ano...

6 comentários:

Flor Guerreira disse...

Minha querida Moranga. Tal como tu, quando fui mãe pela primeira vez, não tive ninguém a ajudar-me. A minha mãe esteve cá uns dias, no início, mas mora a quase 400 kms. A minha sogra, que entretanto já faleceu, vivia na Madeira. Portanto, era só ele e eu. Ele estava a acabar a licenciatura, por isso, precisava da concentração máxima. E, foi assim, que eu vivi 6 meses numa depressão profunda, que só curei 5 anos depois, quando, por outro motivo me fui mesmo abaixo. Melhorei quando fui trabalhar, mas não a curei. Tive, tive sim uma grande depressão pós parto e não tenho vergonha nenhuma de o dizer.

Anónimo disse...

As pessoas não tem a noção do "estalo" que é quando se é mãe pela primeira vez! Aquela vidinha de podermos fazer a nossas coisas quando queremos acabou. A dependência dum bébe é tal que nos deixa mesmo deprimidas e querer atirar tudo pela janela!

Eu digo-te, do meu primeiro filho os 4 meses que tive em casa com ele foram esgotantes, estava tão saturada mas tão saturada que eu assim que fui trabalhar até me benzi!

Do segundo, já foi mais calmo, isto porque tb já levava 6 anos de maternidade...

Ter um filho muda muita coisa, acredita, a partir de agora tu és passada para segundo plano quer queiras quer não.

Força!!

jokas
LA

Anónimo disse...

Ter depressão ou não ter não torna ninguém melhor nem pior que ninguém. São as diversas situações e o acumular de situações que fazem com que as pessoas tenham ou não depressão.

Eu sou licenciada em psicologia e a coisa mais parva que ouvi foi uma pessoa que me disse "Já viste que ela é psicóloga e ficou com depressão pós-parto?". Quer dizer, por ser psicóloga a pessoa em questão já não era pessoa e não podia entrar em depressão? Então nenhum médico pode apanhar gripe, ou ser operado. Não??

A questão que relatas da avó que ficou com depressão pode estar relacionada com tomar conta dos netos ou não (e "depressão" é um termo muito vulgarizado pois há diferentes terminologias com diferentes significados).

No entanto, essa pessoa que hoje "goza" dos outros com depressão, pode amanhã cair numa sem dar por isso.
Também nem tudo é depressão e a depressão não é só tristeza e mais nada.

Na minha experiência pessoal (não enquanto psicóloga): tive um filho, não tive ajuda de ninguém, o meu marido raramente estava em casa, passei os 3 meses iniciais quase sem dormir e também ia entrando em "colapso" porque a privação de sono era tal que eu achava que não ia aguentar. Claro que quem tem ajuda, amas, enfermeiras, etc é diferente de quem trabalha e não tem ajuda para mais nada. Por acaso não entrei em depressão, calhou aperceber-me dos sintomas a tempo e cuidar de mim a tempo MAS a genética também tem um papel enorme nisto e uma pessoa com maior tendência genética para a depressão deve ter mais cuidados consigo próprio, ter mais atenção aos sintomas e cuidar de si atempadamente.

Morango Azul disse...

Eu só quero dormir...

Bonitinha disse...

Compreendo-te Morango, eu estive um ano com o meu filho em casa, depois voltei a estudar. Mas cansa ficar o dia inteiro com um bebê, ainda mais um que só parava de chorar se estivesse no colo. Eu tomava banho chorando porque não aguentava o choro constante do meu filho, eu tinha vontade de sumir. E isto somando com as noites sem dormir, a minha sorte (ou não) é que não trabalhava e por isto de vez em quando dormia com ele à tarde...
Força! E muita paciência!! Eu não quero ter mais filhos, só em pensar no trabalho que deu e dá, acho bonito só nos outros...
beijinhos

Portuguesinha disse...

A galinha da vizinha tem sempre a vida mais facilitada que a nossa, não é mesmo?

Não tem nada a ver. Como bem disse a Broke Shields aquando foi «atacada» pelo parvinho do come-placentas do Tom Cruise, a depressão pós-parto não é nenhuma invenção. Não se cura tendo mais ou menos luxos à nossa volta. Essa tua amiga, mesmo tendo uma mãe a tomar conta da criança podia estar deprimida. Não esteve, sorte dela! Mas podia.

A depressão é algo sério. E difícil, porque não descrimina ninguém e quem dela sofre nem sempre traz esse carimbo na cara.