terça-feira, 3 de junho de 2014

Querer é poder? Nem sempre!

Durante as férias, atendendo à simpatia, disponibilidade e eficiência dos funcionários que nos atendiam naquele hotel Pestana de 5 estrelas, dei por mim a dizer ao meu marido:

- eu gostava de ser assim para os meus clientes. Mas ainda a frase ia a meio e tive logo que concluir rapidamente:

 - mas não consigo!

Mas a verdade é que os meus clientes também não são assim para mim. E com "assim" quero dizer que eles não entram no banco em modo zen, relaxados porque estão de férias e cuja única preocupação é onde esticar a toalha e que bebida vão beber, que era o modo em que eu me encontrava.

Não, infelizmente os meus clientes bancários entram cheios de pressa, mesmo que estejam desempregados ou reformados sem terem a-ponta-de-um-corno para fazer todo o dia, mas ainda assim estão cheios de pressa. Depois há 5% deles que não têm pressa nenhuma e temos que fazer de relações públicas porque os gajos querem conversas existenciais sobre a origem do universo, outras começam a contar as peripécias dos filhos delas e nunca mais se calam... e a fila a crescer e quem tem pressa sou eu mas não os posso mandar embora e já sei que vou ouvir piada e/ou boca do caramelo seguinte. Há também aqueles que lá vão reclamar, e alguns reclamam por tudo e por nada, mas o que eles não percebem é que 99% das vezes, euzinha que estou a levar com o frete, não tenho culpa nenhuma que haja crise, as taxas de remuneração dos depósitos estejam baixas, que já não se ofereçam cartões de crédito a torto e a direito, que tenha ficado sem condições para pagar o empréstimo do Mercedes, etc e tal. Mas tenho que os aturar. Agora não os aturo com aquele ar simpático e amável com que fui tratada pelos funcionários daquele ( e de outros) hotéis.

Sim, eu gostava de ser assim uma querida para os meus clientes. Mas não consigo. Eles não se dirigem a mim em estado zen nem eu ando à caça de gorjetas.

8 comentários:

Timtim Tim disse...

A diferença está no local e no que estão a fazer os clientes. Se trabalhasses num resort num local aparazível, certamente serias sorriso de orelha a orelha!

A Pimenta* disse...

Lidar com pessoas no atendimento público deve ser algo que impossibilita dois dias iguais. Aparece de tudo um pouco! E não é de todo fácil!

Anónimo disse...

Depois existem pessoas tipo eu, que tento ser o mais simpática e agradável possível em qualquer serviço e apanho trombudas.

Uba disse...

Pessoas mal dispostas há em todo o lado. E mesmo em resorts 5* isso acontece.
O melhor mesmo é procurar fazer a diferença. ;)
Beijinhos

Anónimo disse...

Eu acho que é de ti, de como és e não das pessoas. Pensas que não se encontram trombudos e mal dispostos em todos os lugares? Claramente nunca trabalhaste num sitio onde as pessoas estão de férias e-qualquer-coisinha-serve-para-desancar-quem-trabalha.
Ser simpático e afável mesmo que nos apeteça mandar pastar é algo inato, da pessoa, da personalidade,assim como da humildade de cada um.

Eu já trabalhei num local onde um cliente falou mal de tudo e só me apetecia perguntar então porque não se ia embora mas não podia fazer, afinal de contas, ele tinha que sair dali satisfeito.

Actualmente trabalho noutro tipo de local, também lido com os problemas de muitas pessoas e, no entanto, continuo a achar que a simpatia e a minha humildade para com as pessoas os ajuda.

Talvez se fosses mais humilde, se tivesses uma atitude menos de superioridade não te aparecessem tantos filhos da mãe e o teu trabalho até te corria melhor.

Portuguesinha disse...

Existem pessoas que são naturalmente afáveis e se dirigem aos outros sempre com simpatia. Não precisam de andar a caçar gorjetas. Existem pessoas que GOSTAM realmente do atendimento ao público, de lidar com pessoas, de tornar a sua estada agradável, sem receber NADA em troca ou por terem obrigação.

Portuguesinha disse...

Timtim tim, a diferença está na pessoa, não nos locais. FYI resorts, hotéis e lugares paradisíacos de muito turismo geralmente não são locais fáceis para se trabalhar. São bom para os turistas, que não têm de lavar não sei quantos lençois nem de fazer não sei quantas camas por dia, lavar e limpar Wcs muitas vezes imundos, limpar vómitos de bêbados, apanhar preservativos usados de cima dos móveis, limpar quartos, dar de comer a um montão de gente que chega e parte constantemente. É um trabalho duro, por vezes mal pago. Seria mais para não sorrir para ninguém e ser azedo com a maioria.

Se estas pessoas ainda sorriem para cada caramelo estrangeiro que lhes aparece na frente, acredito que é porque elas próprias são assim. Nem todos o são por interesse. Esses normalmente percebe-se algo de forçado e falso.

A simpatia e afabilidade no atendimento ao público é algo que se tem ou não se tem. Pode ser treinado, aperfeiçoado e até conseguido, com esforço, mas é preciso querer e, acima de tudo, GOSTAR de pessoas e de as conhecer. Isso implica, muitas vezes, ouvir histórias familiares e pessoais. Conversar e partilhar.

A verdadeira simpatia vem das pessoas assim como a antipatia.

Portuguesinha disse...

Timtim tim, a diferença está na pessoa, não nos locais. FYI resorts, hotéis e lugares paradisíacos de muito turismo geralmente não são locais fáceis para se trabalhar. São bom para os turistas, que não têm de lavar não sei quantos lençois nem de fazer não sei quantas camas por dia, lavar e limpar Wcs muitas vezes imundos, limpar vómitos de bêbados, apanhar preservativos usados de cima dos móveis, limpar quartos, dar de comer a um montão de gente que chega e parte constantemente. É um trabalho duro, por vezes mal pago. Seria mais para não sorrir para ninguém e ser azedo com a maioria.

Se estas pessoas ainda sorriem para cada caramelo estrangeiro que lhes aparece na frente, acredito que é porque elas próprias são assim. Nem todos o são por interesse. Esses normalmente percebe-se algo de forçado e falso.

A simpatia e afabilidade no atendimento ao público é algo que se tem ou não se tem. Pode ser treinado, aperfeiçoado e até conseguido, com esforço, mas é preciso querer e, acima de tudo, GOSTAR de pessoas e de as conhecer. Isso implica, muitas vezes, ouvir histórias familiares e pessoais. Conversar e partilhar.

A verdadeira simpatia vem das pessoas assim como a antipatia.