quarta-feira, 8 de abril de 2015

És pai/mãe? Se sim, és incompetente!

Á conta deste artigo intitulado "Os pais não sabem brincar" tenho a dizer que ser pai/mãe é difícil.

É difícil porque a sociedade actual exige que sejas perfeito. Que sejas o pai/mãe dedicado em exclusivo ao teu filho a 250%, que sejas excelente profissional dedicado a 250%, carinhoso cônjuge a 250%, extremoso filho a 250% e cidadão exemplar a 250%.

 Qualquer decisão em relação ao teu filho é contestada. Teorias e mais teorias.

Tens que brincar com imaginação de criança, brincar só não chega. E nada de pressas, afinal tudo em casa aparece feito: O jantar preparado, na perfeição, com produtos biológicos e saudáveis. Já para não falar da roupa impecavelmente passada a ferro que também aparece prontinha no lugar… Calma, nada de pressas, afinal nesta sociedade nem temos horários a cumprir nem nada.

Eu queria dizer tanta coisa, mas não tenho tempo.

Digo apenas que os pais/mãe de hoje em dia vivem com a espada da incompetência a milímetros da cabeça.

Por um lado temos que lhes dar independência e autonomia para se tornarem adultos seguros, mas depois acusam-te de autoritarismo e rispidez. Se lhes dás muita atenção é porque os estragas de mimo, se tentas ter vida própria é porque és um pai/mãe desleixado.

Se lhes ralhas mais alto um bocadinho é porque és bruto, se lhes dás uma sapatadinha nas mãos ou na fralda és acusado de violência. Se tentas pela via do diálogo com palavrinhas mansas e o puto não liga nenhuma, é porque estás a ser permissivo e a criar um adulto sem limites que vai tentar o suicídio da primeira vez que ouvir um não da namorada.

Eu queria dizer tanta coisa, mas não tenho tempo.

Digo apenas que os pais/mãe de hoje em dia vivem com a espada da incompetência a milímetros da cabeça.

Eu? Eu tento fazer o meu melhor. Dentro das minhas limitações temporais e, agora infelizmente, de saúde também. Por isso, estou de consciência tranquila e o sorriso do meu filho, os seus beijos e abraços dizem-me que sim, sou somos bons pais, apesar de nem sempre brincarmos com imaginação de criança porque, perdoem-nos, somos adultos.

À autora desse texto digo apenas: perdoa-me por ter crescido e não conseguir brincar com o meu filho como se tivesse a imaginação da idade dele. Perdoa-me por estar cansada por me ter levantado 3 vezes durante a noite para lhe medir a temperatura e limpar a cama vomitada e ainda assim estar ao serviço às 08.30 h. Olha, perdoa-me por ser humana.



3 comentários:

Orquídea disse...

já tinha feito referência a este artigo lá no blogue...mas não sou mãe e por isso vi-o de uma forma completamente diferente! Imaginei-me a mim, a não brincar com os bebes filhos de amigos e primos! Agora lendo esta nova perspectiva de MÃE....faz todo o sentido!!!

Pretty in Pink disse...

A tua visão desse artigo (que não li) parece-me fazer todo o sentido! Até aposto que a pessoa que o escreveu ou não é pai/mãe ou então tem empregada que faz tudo por si e não trabalha!

Beijinho*

Filomena Silva disse...

Revejo-me completamente no teu texto. Mas tem alturas que me sinto uma completa incompetente no papel de mãe, por não conseguir fazer com que o tempo estique.