segunda-feira, 13 de junho de 2016

Da velhice

As pessoas vão envelhecendo lentamente e a conversa é sempre a mesma, coisas dos vizinhos, histórias antigas... E a sua companhia torna-se maçadora, são chatas, a conversa entra por um ouvido e sai por outro.

Depois envelhecem mais um pouco e já ouvem mal para quê estar ali com conversa da treta se temos que repetir tudo 3 vezes, que chatice, o melhor é lá ir de vez em quando.

E assim se diminui a frequência do convívio.

E o tempo passa.

E passa.

E passa.

Até que cai numa cama de hospital. Já não ouve, já não se percebe o que diz mas como está numa cama de hospital já se vai para lá segurar na mãozinha para que a sociedade não pense que está abandonada, um dia, dois dias, três dias... os que forem preciso porque não fica bem deixá-la ali sozinha.

E a minha questão é só uma: porque não ter feito o "sacrifício" enquanto a pessoa estava em condições mentais de saborear a presença alheia e guardar na mente essas imagens, em vez de fazer sala obrigatória quando já nem se reconhece quem lá está?


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