quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Olhar

Queria-te dizer tanta coisa, mas não devo.

Fujo com o olhar por receio que me denuncie. Que grite o quanto me afecta a tua rouquidão e murmure este impulso controlado de te beijar. Mas atraiçoam-me sempre que os fecho aumentando esta ânsia de ser tocada, de sentir o calor das tuas mãos na minha face e o desejo nos teus lábios.

Teimas em visitar-me de madrugada no silêncio da noite despertando em mim o ardor proibido e afagas-me entre carinho e desejo num jogo sedutor que me leva à loucura.

A tua voz acalma-me e o teu sussurro acorda a mulher esquecida e perdida num remoinho diário de afazeres sem fim e cansaço constante.

Inexplicavelmente sinto falta do que nunca me deste e sou percorrida pelas saudades do que nunca tive, mas desejo, num acto de delírio que me acalma e remexe em simultâneo.

Queria-te dizer tanta coisa, mas sinto que já sabes. Os teus olhos atraiçoam-te tal como os meus e dançam num tango silencioso e proibido.

Queria-te dizer tanta coisa, mas ficamos assim: em fuga.

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