sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Saga: o nosso SNS

Dou inicio a uma verdadeira SAGA  sem fim previsto: o desastre do nosso SNS.

Eu tenho tanta coisa para contar mas hoje deixo só esta.

O hospital Pedro Hispano mandou a minha mãe tomar as vacinas pré operatórias ao centro de saúde antes de lá regressar no dia seguinte.

Ou seja, levantou-se de madrugada para ir ao centro de saúde, esperar horas, e depois ir a correr para o hospital,  porque??? Não há enfermeiros no hospital que saibam dar vacinas???

Parece que não... Ou então os que lá estão não sabem colar a vinheta da vacina no boletim de saúde... Também pode ser isso: Uns só sabem dar injecções, outros só sabem colar vinhetas.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

É oficial

A minha mãe é doente oncológica.

E recebo a noticia ao seu lado enquanto ela em choque não processa bem a informação, fica meio confusa. Tenho que a confortar, acalmar, transmitir-lhe os pontos positivos (é de progressão lenta) e incentivar.

E passo as horas seguintes na sua companhia com  a maior das calmas sem demonstrar o turbilhão de sentimentos e pensamentos que me invadem por dentro, como se  o diagnóstico tivesse sido uma simples gripe.

E quando finalmente chego a casa, sozinha, no silêncio do entardecer, sento-me no sofá, o meu mundo desaba e choro perdida no tempo. Choro tudo ali na certeza que não poderei chorar nunca à beira dela. O medo, insegurança e incerteza apoderam-se de mim,  bem como revolta  e sentimento de perda num turbilhão de emoções que não percebo. E choro e deito tudo cá para fora.

E choro, e choro...

E depois acalmo, lentamente,  lavo a cara e saio para ir buscar o Eduardo à escolinha, como se o diagnóstico tivesse sido o de uma simples gripe.

Porque é assim que me vêm: forte e não posso perder a compostura para não se desnortearem.